O crescimento de Valparaíso de Goiás ao longo da BR-040 transformou a rodovia em um dos principais eixos da vida cotidiana no município. Ao mesmo tempo em que conecta a cidade ao Distrito Federal e à região Sudeste, a via também separa bairros e áreas comerciais, concentra congestionamentos e impõe riscos diários a motoristas e pedestres.

Foi nesse cenário que o complexo viário com um viaduto sobre a BR-040 surgiu como uma intervenção de grande porte para enfrentar gargalos históricos de mobilidade. A obra, porém, também se tornou centro de um debate público sobre planejamento, recursos e responsabilidade entre os governos municipal e federal.

Orçamento e promessa inicial

A execução começou durante a gestão do ex-prefeito Pábio Mossoró, encerrada em dezembro de 2024. O projeto foi inicialmente orçado em R$ 34.993.447,22, com recursos municipais e emendas parlamentares.

A previsão anunciada pela gestão anterior era entregar o viaduto à população até 31 de dezembro de 2024. O prazo terminou sem a conclusão da obra.

A promessa de entrega não se concretizou. O cronograma foi afetado por limitações financeiras e por complexidades técnicas, e o canteiro permaneceu por um período sem o avanço esperado.

Paralisação e cobrança pública

Na transição para a administração do prefeito Marcus Vinícius, a obra estava paralisada. A estrutura de concreto exposta ao longo da BR-040 passou a simbolizar a insatisfação de moradores e alimentou questionamentos sobre o dinheiro já aplicado e o prazo para conclusão.

Vista aérea lateral do viaduto em construção na BR-040, cercado por bairros e comércios de Valparaíso de Goiás
Estrutura do viaduto vista de outro ângulo, com o tráfego mantido nas vias laterais. · Material cedido ao Val Notícias

A prefeitura afirmou não ter condições de arcar sozinha com os custos restantes. A indefinição sobre quem concluiria o empreendimento ampliou a cobrança por respostas e por um novo planejamento para a obra.

Transferência ao Governo Federal

A saída encontrada foi a sub-rogação do contrato, mecanismo pelo qual a responsabilidade de execução foi transferida para a esfera federal. O processo envolveu o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A mudança ocorreu quando o empreendimento estava com aproximadamente 75% de execução física. Com a entrada do DNIT, novos recursos federais — estimados em cerca de R$ 12 milhões — permitiram a retomada de serviços como terraplanagem, aterros e conclusão de estruturas de concreto.

O projeto também prevê intervenções complementares, entre elas rotatórias inferiores e retornos operacionais destinados a reduzir os impactos no trânsito da BR-040.

A cronologia do projeto

Anos anteriores a 2024 — O projeto foi concebido e as obras começaram sob responsabilidade municipal, durante a gestão de Pábio Mossoró, com orçamento inicial de R$ 34,9 milhões.

Dezembro de 2024 — Chegou ao fim o prazo anunciado pela gestão anterior. O mandato terminou com o viaduto inacabado.

Vista aérea frontal da obra do viaduto no eixo da BR-040 em Valparaíso de Goiás
Canteiro central da BR-040 concentra as obras do complexo viário. · Material cedido ao Val Notícias

Primeiro semestre de 2025 — A paralisação provocou cobrança pública e debates locais sobre o cronograma e os recursos aplicados.

Entre agosto e outubro de 2025 — O processo de sub-rogação avançou e o DNIT assumiu direitos e obrigações contratuais para dar continuidade aos serviços.

Do fim de 2025 a 2026 — As frentes de trabalho foram retomadas, com execução de aterros e estruturas viárias e previsão de conclusão ao longo de 2026.

O que está em jogo

O complexo viário é uma obra estratégica para uma cidade atravessada por um corredor federal e marcada por deslocamentos diários em direção a Brasília. Sua trajetória expõe os desafios de financiar grandes intervenções urbanas e de manter planejamento e transparência durante mudanças de governo.

A transferência para o Governo Federal evitou a interrupção definitiva do projeto e abriu caminho para a conclusão. Para a população, permanecem centrais a fiscalização dos recursos, o acompanhamento do cronograma e a avaliação dos efeitos que a nova estrutura terá sobre a mobilidade local.

Fontes consultadas

Agita Goiás; Opinião Brasília; Jornal Opção Entorno; Goiás em Folhas; Prefeitura Municipal de Valparaíso de Goiás; Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT); e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Pesquisa-base atualizada em 11 de agosto de 2026.